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BOCA DE FORNO

Era um torneio de velocidade. Sentava-se o parceiro escolhido para iniciar o brinquedo e travava com os companheiros, de pé em sua frente, o seguinte diálogo:

- Boca-de-forno?! - dizia aquele.

- Forno! - respondiam os outros.

- Tira bolo?

- Bolo!

- Fizeste o que eu fiz?

- Fiz.

- Remando, remando, quero que... e volte correndo.

A frase era completada com a ordem de executar uma ação qualquer a certa distância, como - beijar um poste, dar "boa noite" a alguém que estivesse à janela, trazer um objeto, etc.

Os meninos partiam em direção ao alvo, cumpriam a ordem e voltavam em disparada, pois o último que chegasse levava bolos e ficava na espera. A respeito do brinquedo de boca-de-forno corre a história de um sujeito que morava perto do porto da Levada, em Maceió, ali onde se acumulam materiais de construção, e acabou de fazer uma casa com os tijolos trazidos pelos meninos da redondeza. O espertalhão reunia-os toda noite num animado boca-de-forno e premiava-os vez por outra com alguns vinténs. O conto pode ser mentiroso; mas também pode ser que não seja.


(SANTIAGO, Paulino. "Jogos e brinquedos da minha infância". Em Boletim da Comissão Alagoana de Folclore)