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Jovem Greco

Oddone Greco. O folclórico personagem da Rua da Praia, fazia as suas sempre muito sério e solene, num trajar elegante e distinto. Cedo a cidade conheceu suas brincadeiras.

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Havia duas conhecidas e distintas senhoras da alta sociedade porto-alegrense entre a quais Greco sabia inexistir relação maior que cumprimentos formais e sorrisos leves. Telefonou para cada uma delas, imitando a voz da outra. Em ambas as ocasiões, de forma sutil e simpática elogiou a casa da interlocutora, manifestando curiosidade em conhecê-la por dentro. As duas logicamente entenderam a insinuação e convidaram uma à outra para chás em suas casas. De tal forma agiu Oddone que, em determinado dia e hora, as ditas senhoras estavam cada qual em sua residência esperando a visita da outra, com o chá especialmente preparado.

Não há registro do que aconteceu depois. Ambas jamais comentaram o fato. Aliás, comme il faut.

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Quando as rádios noticiaram acidente sem vítimas no Aeroporto São João (ou "da Varig") , Oddone interessou-se e foi logo para lá. O pequeno teco-teco adernara ao aterrissar, acabando por cair fora da pista completamente desmantelado. A hélice, lançada longe, restara inutilizada, embora milagrosamente inteira. Desde sua chegada, Greco pusera os olhos naquela peça lustrosa e bonita. Esperou paciente o término do trabalho de autoridades e imprensa e, quando todos os curiosos haviam ido embora, conseguiu, insistente e simpático, levar a hélice consigo.

Seu pensamento estava voltado para o novo hotel da rua Santo Antônio cujo proprietário maníaco por aviões resolvera decorar a parte térrea do prédio com motivos aeronáuticos. Para azar de Oddone, porém, o homem não se interessou pela hélice: já conseguira uma.

O rapaz teve então outra idéia. O Ao Belchior, bricabraque do português Joaquim da Cunha, era muito procurado por quem quisesse objetos estranhos, não disponíveis no comércio tradicional. Se a pessoa não encontrava a coisa desejada, era comum deixar pedido. Passando-se por dono desse hotel de Santo Antônio, Greco telefonou para seu Joaquim perguntando se tinha hélice de avião à venda. Não havendo, deixou pedido preferencial, com nome e endereço, era urgente, as obras estavam no fim o preço era secundário. Nos dias seguintes, novas ligações do hoteleiro ao brique, até mandaletes apareceram. O português procurava o objeto, sem resultado.

Certa manhã, Oddone, carregando a hélice ao ombro, passou por acaso pelo Ao Belchior e ficou distraidamente olhando a vitrine. Daí a pouco Joaquim chegou até a calçada:

- Essa hélice é tua?

- É.

- Queres vendê-la?

- Não sei... eu ia pendurar no quarto...

- Pois te dou um conto de réis por ela. Pago agora.

- Fechado - disse Oddone.

O português jamais soube o que realmente aconteceu, pois quando esteve no hotel e o dono negou ter feito a encomenda, notou outra hélice recém-pendurada na parede. Deduziu então que o hoteleiro conseguira-a por outros meios e esquecera de avisar ao brique, não querendo depois assumir o prejuízo.

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Oddone aprontou algumas em casa, o ambiente pesou e acabou refugiando-se no apartamento de amigo, defronte à Escola de Cadetes. O toque de alvorada no colégio acordava-o diariamente às quinze para as seis da manhã. Resolveu telefonar para lá, pedindo para chamar o corneteiro, a quem inicialmente cumprimentou pela boa qualidade da execução e pela afinação. Encompridou então a conversa, apresentou-se como colega, pois também tocava clarim na banda do colégio Rosário. Depois de granjear a simpatia do soldado, tentou convencê-lo a soprar mais baixo: só grandes músicos conseguiram controlar o sopro de tal forma que apenas os cadetes despertassem, deixando em paz a vizinhança próxima. Não adiantou. Dias mais tarde, farto de tanto madrugar, deixou o apartamento do conhecido.

Dedicou-se nas semanas seguintes ao estudo intensivo de pistom, com um sargento-corneteiro da reserva da Brigada que descobrira no Quarto Distrito, adquirindo assim pleno domínio do instrumento.

Tempos depois, quase amanhecendo e no meio do silêncio, aproximou-se de carro do Colégio Militar, escolheu local longe da guarda e, corneta em punho, num belo desempenho a pleno pulmão, executou o toque da alvorada. Acordou todo mundo quase uma hora antes. Inicialmente, ninguém notou o detalhe: zonzos de sono, todos principiaram a vestir-se de forma automática e condicionada. O engano só foi constatado minutos após, quando alguns conferiram os relógios. Aí já não adiantava mais voltar para a cama. Instaurou-se sindicância, o infeliz do corneteiro, suspeito óbvio, dando grandes explicações...

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Os motorneiros, cobradores e fiscais dos bondes, quando diminuía o movimento, gostavam de dar ligeiras paradas num boteco perto da esquina da rua da Praia com Bento Martins. Oddone, à tardinha de um sábado, em hora morta, aproveitou um bonde vazio, assumiu os controles e fugiu até o fim da linha de Navegantes, a poucos quilômetros de distância. Lá chegando, desceu e voltou de táxi para a casa.

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Tanta baderna Oddone vinha aprontando na entrada do Colégio Rosário que os maristas, para impor respeito, colocaram ali um irmão jovem e forte. No primeiro dia funcionou tudo bem. Na manhã seguinte, entretanto, antes de entrar, Oddone instruiu dois cupinchas para começarem discussão acalorada uns dez metros além do novo porteiro e, em seguida, simularem briga.

Assim fizeram. Iniciado o programado bate-boca, Greco foi para junto do padre. Este, pescoço espichado para o lado oposto, tentava identificar o alarido vindo do meio da leva de estudantes. Quando irrompeu a briga, o marista rapidamente correu. Ao fazê-lo, contudo, levou de arrasto pesado tripé de sustentação do enorme vaso de flores existente ao lado do portão do colégio, derrubando-o e esparramando plantas, terra e pedaços de cerâmica. Oddone amarrara na armação da floreira a ponta solta da faixa que o padre usava na cintura...

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A afinidade das famílias Greco e Portinho decorria do avô de Oddene, Nicola, figura patriarcal em ambas. Certa feita, o velho quis fotos de toda descendência reunida. Ninguém poderia faltar.

Não foi fácil realizar tal desejo. Eram mais de trinta pessoas, algumas delas muito atarefadas ou com viagens marcadas. Cerca de dois meses depois, finalmente a reunião tornou-se possível. Contratou-se Dutra, o melhor fotógrafo da cidade, e várias chapas foram tiradas de toda família, agrupada solene ao redor do velho.

Dias depois, Dutra retornou com as revelações, dizendo-se em dúvida sobre se iriam agradar: em algum canto de todas elas sempre aparecia Oddone com uniforme do Colégio Rosário, em pose circunspecta, ostentando bem visível, na altura do peito, caprichado círculo formado pelo indicador e polegar da mão direita.

Nunca mais conseguiram juntar todos.

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Os companheiros de time de Oddone, liderados por Mandico, foram procurar o irmão Afonso, diretor do Ginásio Rosário, para saber o motivo da recente proibição de entrada do amigo no secundário:

- Sinto muito - disse o religioso - , mas esse aluno não pisa mais aqui. É louco. Descobrimos que foi ele quem telefonou ontem para os bombeiros e depois para cá, dizendo que o terceiro andar do colégio estava incendiando. E nada acontecera. Esse moço é com-ple-ta-men-te lou-co! vai ser expulso. Também ficamos sabendo que na semana passada ele conseguiu, não sei como, carregar uma freira até nossa secretaria, depois de convencê-la a matricular-se num tal de curso de ginecologia!

O médico gozador

Quase todos os contemporâneos do estimado doutor Nestor Barbosa, falecido em 1967, lembram dele como ocasião sério e competente. Paroquianos de tradicional capela Assunção - os veranistas dos anos cinqüenta - acrescentariam a gratidão geral a quem, durante muito tempo e por diletanismo, administrou sozinho aquela igrejinha, servindo de compenetrado sacristão e tocando sino, abrindo portas todas as manhãs, cuidando jardins, enxotando cães vadios ou buscando de carro padre e freiras.

Essas pessoas ficariam bem surpresas se soubessem do lado engraçado do conceituoso médico, na verdade incorrigível brincalhão, capaz de aplicar memoráveis trotes nos conhecidos. E, afinal, render-se-iam à evidência de certos episódios. Como o do vinho sacro da capelinha, às vezes substituído por vermute ou cachaça escurecida com refrigerante, desesperando o sacerdote em plena missa, na hora da consagração. Ou o da água benta, cujo estoque, caso necessário, era singela e prosaicamente suprido pelo regador de plantas...

Aliás, indícios dessa faceta de Nestor já apareciam em seu excelente instituto de radiologia, situado no primeiro andar de Galeria Chaves, com janelas dando para a rua da Praia: a visita ocasional e inquietante do amigo Oddone Greco e a chamativa estátua do milagroso monge São Cricário, com cerca de meio metro de altura, colocada à disposição de qualquer incauto que, puxando a corda enrolada na cintura da imagem, veria saltar de dentro da batina assustador e enorme falo. Os mais íntimos pensavam até que o instituto, para Nestor, não passava de disfarce para as troças de lá democraticamente distribuídas. À boca pequena vazava um ou outro comentário sobre pacientes que, em pleno inverno, eram deixados tiritando de frio, só de avental de exame, frente aos aparelhos de raio X, enquanto em outra sala desenvolvia-se alguma gozação telefônica inadiável ou com hora certa.

Quem conhecia bem esse aspecto alegre da personalidade do médico era Flávio Palmeiro d’Ávila da Livraria do Globo, vizinha à Galeria Chaves. Anonimamente vingando as vítimas de Nestor, durante anos a fio Flávio juntou as muitas participações de casamento, batizado, enterro ou festas impressas pela livraria e regularmente remeteu-se ao radiologista. Este, sem saber disso, estranhava aquela massa enorme e constante de correspondência, enviada por pessoas cujo nome geralmente desconhecia. Com o tempo, contudo, acostumou-se, atribuindo-a a ex-clientes já esquecidos. Às vezes comentava irritado os convites recebido de gente de quem não gostava ou com quem não mantinha relações...

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Seu bom amigo Eurico visitava-o certa tarde no instituto. No meio da conversa, Nestor abriu a gaveta da escrivaninha e retirou belo e impressionante caleidoscópio, oferecendo-o animadamente ao outro:

- Vê só que beleza. Comprei no Rio. Repara, tem até feltro para proteger o olho. Pega aí, vai.

O amigo experimentou e girou diversas vezes o aparelho, indiscutivelmente fora do comum, com Nestor incentivando-o a aproveitar ao máximo as inúmeras combinações visuais. Quando terminou, o médico disse:

- Bem, agora chega. Vai embora que eu tenho que trabalhar.

Eurico desceu até o térreo e ao passar pela entrada da galeria, enxergou-se por mero acaso no espelho da vitrine. Estacou boquiaberto ao verificar enorme mancha preta ao redor do olho direito. Conscientizou instantaneamente o comportamento esquisito e os cochichos das pessoas que cruzavam por ele, naquela hora de intenso movimento. Voltou fuioso ao instituto, passando grande descompostura no médico, que lhe pedia calma:

- ... Espera um pouco, não fica tão brabo, não é assim, também. Estás nervoso demais. Toma. Fuma um cigarro, vai.

Enquanto Eurico se acalmava. Acendia o cigarro e ia novamente embora. Nestor deixou-se ficar quieto e atento na cadeira. Segundos depois, ao ouvir o aguardado estouro de bomba vindo da rua da Praia, correu à porta e trancou-se no consultório. Não demorou muito, Eurico tentava entrar. Não conseguindo, dizia com voz controlada e imperativa, entredentes:

- Abre, Nestor.

- Agora não posso, Eurico.

- Abre, Nestor.

- Não posso, estou trabalhando.

- Abre, Nestor.

- Eurico, tem paciente aqui. Não dá para abrir agora. 

O radiologista só saiu depois que o outro, cansado, resolveu ir embora.

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Telefonou na hora da janta a um amigo morador da Vila Assunção, pouco habitada na época:

Aqui é da Força e Luz, da estação perto aí da sua casa. Estamos concertando um defeito. Haverá muitas quedas de voltagem seus aparelhos elétricos podem estragar. Pedimos que desligue tudo, inclusive as luzes. A gente telefona quando puder ligar de novo.

O outro prontamente cumpriu a recomendação, acendeu algumas velas e sentou-se com a mulher para jogar cartas. Só se deram conta da gozação bem depois das onze da noite, com o retorno do filho que, estranhando tudo aquilo, chamou a estação e pediu confirmação.

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Defronte à Galeria Chaves ficava a tradicional Casa Sport, tendo na vitrine a figura de um macaco só de sunga. Nestor incomodou muito o dono, Paulo Flores, exigindo-lhe sempre anônimo, que tirasse dali aquela indecência. Uma manhã ligou pra lá e perguntou se havia vara para salto de altura. Tinha.

- E qual o tamanho? Só isso? Pena, é muito curta! Dá pra encomendar no tamanho que eu quiser? Ah, ótimo!

Fez então o pedido, dando nome e endereço falsos. A loja mandou fazer o aparelho. Passando o mês aprazado, o radiologista voltou a chamar:

- Já chegou a vara? Já, é? Que bom! Então enfia ela no cu, tá? Bom proveito!

A vara ficou tempo no estoque na Casa Sport. Até que alguém contou a Paulo o nome do autor do trote. O comerciante mandou entregá-la na casa do médico, como presente...


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Binóculos numa das mãos e telefone na outra, Nestor chegou à janela do consultório, entreabriu-a levemente e dali telefonou para a Confeitaria Woltmann, do outro lado da rua da Praia, defronte à estrada da Galeria Chaves. Atendeu seu Luís, antigo funcionário da confeitaria, vazia naquele horário. Escondido lá em cima e vendo o velho apoiado no balcão de vidro, Nestor falou antes mesmo que o outro:

- Boa tarde, seu Luis, eu queria encomendar uma dúzia de doces.

- Mais que doces o senhos quer?

- Esses aí da vitrine.

- É que tem muitos. Assim fica difícil. O senhor precisa vir escolher - disse o velho.

- Bem, nesse caso, vejamos: esses aí embaixo, à direita de que são?

Seu Luís seguiu instintivamente a indicação:

- São de chocolate... - respondeu, ao mesmo tempo que, sobressaltado, percebia o absurdo da situação.

Ao estupefato velho, Nestor continuou dizendo calmamente:

- Não, esses não. Eu quero os amarelinhos, esses pequenos, aí à sua esquerda. Quero três, e mais três daqueles marronzinhos, na prateleira ali embaixo...

Nervosíssimo, seu Luís cortou a ligação e saiu à rua, olhando preocupado em todas as direções.

Tucha e os trotes.

A maior vítima de trotes já aparecida na rua da Praia foi o irritadíssimo e bem apessoado Tucha, barbeiro e cabeleireiro de fama, estabelecido com o seu Royal Salon no andar superior da Confeitaria Central, no largo dos Medeiros. Tentava ele revidar as brincadeiras, perdendo-se nos palavrões, enquanto os fregueses ficavam esperando o término de suas furiosas e infindáveis arengas telefônicas. Alguns deles, dado o tempo perdido , até paravam de aparecer. A partir de determinada época, para não escandalizar as clientes ou os menos íntimos, o barbeiro mandou instalar pequena cabine à prova de som, respondendo às gozações sem constrangimentos. Era enorme a legião de pessoas que ligavam para divertir-se às suas custas. Seus maiores algozes, porém, foram o radiologista Nestor Barbosa e o folclórico Oddone Greco. Tinham estes a habilidade de fazer troças justo nos momentos de maior distração ou desproteção psicológica do barbeiro, fazendo-o cair às vezes em situações primárias. E não era tarefa fácil pregar peças no Tucha, pois com o decorrer dos anos acabou adquirindo grande experiência e agilidade nas respostas.

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Quando Oddone ouvia no rádio ou lia no jornal a comunicação do extravio de algum animal de estimação, ligava para o dono e informava a localização:

- ... É isso mesmo, quem encontrou um igualzinho à descrição foi o seu Tucha, do Royal Salon. Ele gostou tanto do bichinho que o levou para a casa. Vá lá ou telefone, tenho certeza que ele devolve.

Greco fazia isso toda vez que se tratava de pequineses, pois o barbeiro tinha dois. A princípio, Tucha não entendia por que tantas pessoas queriam saber logo com ele sobre bichos perdidos. Pior ficava quando as pessoas achavam que ele não queria devolver:

- ... Mas, seu Tucha, eu sei que o senhor também gosta de cachorro, por isso lhe peço, a minha netinha está tão triste! Por que o senhor não devolve? Não pode ser tão desalmado assim!

Ao parecer a brincadeira, o barbeiro passou a esclarecer, indignado:

- Olhe, minha senhora, quem fez isso só pode ser um daquele dois cretinos, o Oddone Greco ou o Nestor Barbosa. Tudo o que se perde nesta cidade e as pessoas anunciam, indicando número de telefone, eles chamam e dizem que fui eu quem encontrou.

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(SÁ JÚNIOR, Renato Maciel de. Anedotário da rua da Praia)

Eram tantas as que Nestor Barbosa aplicava em Tucha que as pessoas mais chegadas. Ao encontrar o médico, iam logo perguntando:

- Então, como é que vai o Tucha?

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Até a família do radiologista comentava seus trotes no coitado do barbeiro. Certa vez, Nestor foi visitar a mãe, dona Djanira, e levou junto as filhas. Lá chegando, as meninas saíram correndo na frente e entraram na casa, à procura da avó. Ao encontrá-la, levaram um susto: Tucha lá estava, arrumando os cabelos dela. Assustadas, voltaram correndo:

- Pai, pelo amor de Deus, não entra! O Tucha taí, ele vai querer te bater!

O médico acalmou-se e foi. Beijou a mãe, cumprimentou formalmente o barbeiro e sentou-se em silêncio. Daí a pouco, Tucha disse:

- Sabe, dona Djanira, eu acho que este seu filho aqui anda me passando uns trotes...

- Quem, o Nestor? - respondeu espantada a velha senhora, de quem o filho herdara o espírito brincalhão.

- Ora, Tucha, será que eu não tenho mais nada para fazer que estar perdendo tempo com trotes? - interveio Nestor, entre chocado e indignado.

- É - retrucou o barbeiro - , mas eu ando muito desconfiado contigo.

- Olha, quem deve andar te dando trote é outro, porque eu não sou. Quem ouvi comentando que te passara um foi o Greco. Fala lá com ele, mas não comigo!

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No dia seguinte, na hora de maior movimento do salão, Nestor, disfarçando a voz, ligou para Tucha e, educado, perguntou:

- O senhor está muito ocupado agora?

- Mais ou menos, por quê?

- Eu precisava dos seus serviços aqui em casa, tenho encontro importante hoje á noite. Será que poderia vir à tardinha?

- Pois não - disse o barbeiro - é pra fazer o que?

- É pra lavar, cortar e fazer permanente nos pentelhos.

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