Ir para a página principal


Festança
Cancioneiro
Imaginário
Oficina
Palhoça
Colher de Pau
Panacéia
Catavento
Almanaque
Candeeiro
Mural
Expediente


Folhinha

Arquivos

Outras Edições

Busca

Retornar para Colher de Pau
Fio inspirado em desenho de muiraquitã.
MARACUJÁ

MARACUJÁ
(Passiflora edulis Sims.)

"O odor e o sabor dos frutos são agradáveis e suaves", informa Marcgrave. Abbeville dissera: "É muito bom ao paladar". O travo de acidez mereceu sempre os elogios letrados. Entre os indígenas tupis era comum ver-se a trepadeira nas vizinhanças das malocas. Passou abundantemente à África.

(CASCUDO, Luís da Câmara. História da alimentação no Brasil)

EM QUE SE DECLARAM AS ERVAS QUE DÃO FRUTO NA BAHIA, QUE NÃO SÃO ÁRVORES.

Como na Bahia se criam algumas frutas que se comem, em ervas que não fazem árvores, pareceu decente arrumá-las neste capítulo apartadas das outras árvores. E comemos logo a dizer dos maracujás, que é uma rama como hera e tem a folha da mesma feição, a qual atrepa pelas árvores e as cobres todas, do que fazem nos quintais ramadas muito frescas, porque duram sem se secar, muitos anos. A folha da erva é muito fria e boa para desafogar, pondo-se em cima de qualquer nascida ou chaga e tem outras muitas virtudes; e dá uma flor branca muito formosa e grande que cheira muito bem, de onde nascem umas frutas como laranjas pequenas, muito lisas por fora, a casca é da grossura da das laranjas de cor verde-clara, e tudo o que tem dentro se come, que além de ter bom cheiro tem suave sabor.

Essa fruta é fria de sua natureza e boa para doentes de febres, tem ponta de azedo e é mui desenfastiada; e enquanto é nova, faz-se dela boa conserva; e enquanto não é bem madura, é muito azeda.

(SOUZA, Gabriel Soares de. Tratado descritivo do Brasil em 1587)


O SANGUE DE JESUS


Quando Jesus estava na cruz, seu sangue ia escorrendo pela madeira e molhava o chão. No pé da cruz tinha uma planta que nunca deu flor e não tinha nenhuma virtude. Quando o sangue molhou a planta, ela soltou um botão, o botão virou flor e a flor trazia todos os sinais da crucificação. Essa planta tem o nome de planta da paixão, que a gente chama também de maracujá.

(XIDIEH, Osvaldo Elias. Narrativas populares)


PROPRIEDADES MEDICINAIS


Maracujá-açu: excelente sedativo. Indicado nas dores de cabeça, neurastenia e insônia.

Maracujá caatinga: as folhas são utilizadas em banhos nas erisipelas e inflamações em geral.

Maracujá-mirim: A decocção das folhas é empregada como diurético, e externamente nas hemorróidas.

Maracujá-peroba: A decocção das folhas é utilizada em clister, para as hemorróidas.

Maracujá-pintado: O cozimento das sementes é utilizado para combater os vermes intestinais.

Maracujá
A FLOR DE MARACUJÁ

Catulo da Paixão Cearense

Encontrando-me com um sertanejo
Perto de um pé de maracujá
Eu lhe perguntei:
Diga-me caro sertanejo
Porque razão nasce roxa
A flor do maracujá?

Ah, pois então eu lhi conto
A estória que ouvi contá
A razão pro que nasci roxa
A frô do maracujá.

Maracujá já foi branco
Eu posso inté lhe ajurá
Mais branco qui caridadi
Mais brando do que o luá

Quando a frô brotava nele
Lá pros cunfim do sertão
Maracujá parecia
Um ninho de argodão.

Mais um dia, há muito tempo
Num meis que inté num mi alembro
Si foi maio, si foi junho
Si foi janero ou dezembro

Nosso sinhô Jesus Cristo
Foi condenado a morrê
Numa cruis crucificado
Longe daqui como o quê

Pregaro cristo a martelo
E ao vê tamanha crueza
A natureza inteirinha
Pois-se a chorá di tristeza

Chorava us campu
As foia, as ribera
Sabiá tamém chorava
Nos gaio a laranjera

E havia junto da cruis
Um pé de maracujá
Carregadinho de frô
Aos pé de nosso sinhô.

I o sangue de Jesus Cristo
Sangui pisado de dô
Nus pé du maracujá
Tingia todas as frô

Eis aqui seu moço
A estória que eu vi contá
A razão proque nasce roxa
A frô do maracujá.

Topo

Jangada Brasil © 2000