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Fio inspirado em desenho de muiraquitã.
O BRASIL NO CANCIONEIRO POPULAR

Vida do Pará
Vida de descanso
Comer de arremesso
Dormir de balanço

   * * *

Atirei um limãozinho
Lá para as bandas de Belém
Bateu no cravo e na rosa
E nos seios do meu bem

(Pará)

   * * *

Vida do Pará
Vida de descanso
Comer de arremesso
Dormir de balanço

   * * *

Preto que vende aí?
É arroz do Maranhão
Que sinha mandou vendê
Pela cara do Salomão

   * * *

A ponte do Jaraguá
É feita de geringonça
Bacalhau, comer de negro
E negro é comer de onça

(Alagoas. Em Pernambuco, há a variante A ponte do Beberibe)

   * * *

Da Bahia me mandaro
Um presente no balaio
Quando fui distampá
Era pirão de papagaio

   * * *

Viva o cravo viva a rosa
Viva a flor de Alexandria
Viva quem tem seus amores
Na cidade da Bahia

   * * *

Quero me casar
com negociante
Que vá pra Chapada
Buscar diamante

Meu bem, meu amante
É um negociante
Que foi pra Chapada
Buscar diamante

As moças d’agora
Só querem brilhante
Eu vou pra Chapada
Buscar diamante

As moças d’agora
Só querem se casar,
Botam a panela no fogo
E não sabem temperar

(Bahia)

   * * *

Juazeiro dá lordeza
Sento Sé dá fidalguia
Casa Nova dá pobreza
Remanso dá valentia

   * * *

Serrinha não serra aroeira
Queimadas não tem capim
Raso não tem fundura
Coité não dá celamim

(Bahia)

   * * *

El-rei mandou me chamar
Pra casá com sua fia
E como dote me deu
Oropa, França e Bahia

   * * *

Mandei buscá na Bahia
Uma baiana pra mim
Pra fazer vatapá
Angu, moqueca e xinxim

   * * *

Piauí, pra criar gado
Rio do Peixe pra algodão
Cariri pra rapadura
Pajeú pra valentão

   * * *

Quem tiver sua filha virgem
Não mande apanhar café
Se for menina vem moça
Se for moça, vem muié
É o ditado mais exato
Da serra do Batrité

(Ceará)

   * * *

Na praia de Cabedelo
Saçanguei, não pude entrar
Avoei os ferro n'água
Vi o farol saluçar

(Paraíba)

   * * *

A ponte do Beberibe
É feita de geringonça
Bacalhau, comer de negro
E negro é comer de onça

(Pernambuco)

   * * *

De candeia que não atiça
De mulher que tem preguiça
E, se ela não vai à missa
Em dia que santo é,
Libera nós, Dominé!
De cavalgar sem espora
De negócios com demora
Chamados fora de hora
Sem se saber pra que é
Libera nós, Dominé!
De homens mal encarados
De partos atravessados
De morar em Afogados
Quando está cheia a maré
Libera nós, Dominé!

(Pernambuco)

   * * *

Lampião, que não tem carne
Que sirva pra fazer bife
Diz que morre e não se entrega
À polícia do Recife

(Pernambuco)

   * * *

Tabaiana, prata fina
Laranjeiras, ouro em pó
Maroim, pastos de engenho
Santo Antônio, brocotó

(Sergipe)

   * * *

Esta moda foi inventada
Por Adolfo Mariano
Por isso vai assinada
Para não fazer engano
Com palavras bem rimadas
É praxe deste goiano
Quero formar uma quadra
Sobre os doze mês do ano

Começando em janeiro
Por ser um mês chuvoso
Eu nasci em fevereiro
Por isso sou amoroso
Mês de março para os roceiro
É um mês aventuroso
Se faltar o aguaceiro
Os cereais fica custoso

(Goiás)

   * * *

Papel você vai contando
O autor desta canção
Foi Adolfo Mariano
Que passou ali usando
As águas de São João

(Goiás. Águas de São João são águas medicinais do estado)


Ilustração de Percy Lau

"Achi, porco!" no Amazonas
"Como então?" lá no Pará
"Apois, sim!" no Maranhão
"E apois?" no Ceará

   * * *

São Paulo para café
Ceará pra valentão
Piauí pra vaca brava
Pernambuco pra baião
Rio Grande pra cavalo
Paraná pra chimarrão
Em Minas carne de porco
Rio de Janeiro eleição
Alagoas povo macho
Mato Grosso pra brigão
Amazonas pra borracha
Paraíba pra algodão
Para castanha o Pará
Para arroz o Maranhão
Bahia para mulata
Sergipe, cana e feijão
No Rio Grande do Norte
Jerimum e violão
Em Goiás moça bonita
E rapaz sem coração

   * * *

As desgraças do Brasil
De duas passaram a três:
É formiga "cabeçuda"
Italiano e português

   * * *

De Minas Gerais o ouro
De Montevidéu a prata
De Portugal a rainha
Do Rio Grande a mulata

   * * *

Nossa Senhora da Penha,
Bota a bandeira no mar,
Para salvar seus filhinhos
Os que não sabem nadar

(Espírito Santo)

   * * *

Fui no Convento da Penha
Com a mãe de Deus conversei.
Por achar muito bonita
Só contigo comparei...

(Espírito Santo)

   * * *

Vou subir num morro alto,
Para ver Guarapari.
Para ver se aquele ingrato
Ainda se alembra de mim...

(Espírito Santo)

   * * *

Quem me dera estar agora,
Onde está o meu pensamento:
De Vitória para fora,
De Iconha para dentro

(Espírito Santo)

   * * *

Quem me dera estar agora
Onde está meu pensamento:
Na cidade de Vitória,
Na ladeira do Convento

(Espírito Santo)

   * * *

Menino me dá um cacho
Deste teu lindo cabelo.
Já cansei de te falar:
Terra santa é Cachoeiro

(Espírito Santo)

   * * *

Venho lá do Carangola
Venho do lado de Ubá
Mas fui nascido e criado
No sertão de Itajubá
E foi na escola do mundo
Que aprendi o bê-a-bá

(Minas Gerais)

   * * *

Ai, ai, eu vou
Ai, ai, eu vou pra Mina
Ai, ai, eu vou
No coração das menina

(Minas Gerais)

   * * *

Dizem que em Minas Gerais
O gado foi vacinado
Devido à febre aftosa
E viu-se o povo logrado
Com o triste mal da impotência
Comendo a carne de gado

   * * *

Itabira, Itambé
Samambaia e Sapé
Meirinhos de Caeté
Libera nós, Dominé!

(Minas Gerais)

   * * *

Vamos fazer revolução
Nossa trincheira vamos
Ter mulata…
Na avenida São João

(São Paulo)

   * * *

Meu amor não mora aqui
Mora lá em Porto Belo
O namoro das meninas
É uma vara de marmelo

(Santa Catarina)

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