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DIA DO FURTO TRADICIONAL

Na noite da Sexta-Feira da Paixão para o Sábado da Aleluia ou deste para o Domingo da Ressurreição havia em todo o Brasil a tradição do furto de aves domésticas para um grande almoço no dia imediato. A tradição ainda não desapareceu de todo, e estava espalhada por toda a América espanhola. Na Bolívia denominava-se Kjespiche. No interior de São Paulo é o Dia da Malvadeza, na Quinta-Feira Santa. Reuniam-se as alegres irresponsabilidades populares numa espécie de reminiscências das festas romanas, as Lupercais em fevereiro, as Hilárias em abril e as Saturnálias em dezembro, de que o Carnaval é sobrevivência típica. Na África e Ásia resiste a mesma tradição ligada a outros ciclos religiosos e possivelmente de fundo cultural agrário. Uma explicação é pensar o povo que a morte de Jesus Cristo elimina o direito de autoridade, de propriedade, de posse, dando às cousas o domínio geral. Em Roma o povo saqueava o palácio imperial, quando do falecimento do Imperador. Esse hábito é um dos elementos constantes na psicologia popular, considerando sem dono o que pertenceu ao morto. Bem de defunto é de toda a gente, afirmavam. O papa João IX, no Concílio de Ravena em 898, proibiu, sob pena de excomunhão, o assalto e furto dos bens dos cardeais, arcebispos e bispos, pela multidão, quando da morte desses prelados.

(CASCUDO, Luís da Câmara. Dicionário do folclore brasileiro)



ORIGEM DOS NOMES DOS ESTADOS DO BRASIL

Acre: vem de áquiri, touca de penas usada pelos índios munducurus
Alagoas: o nome é derivado dos numerosos lagos e rios que caracterizam o litoral alagoano.
Amazonas: nome de mulheres guerreiras que teriam sido vistas pelo espanhol Orellana ao desbravar o rio. Para Lokotsch, vem de amasuru, que significa águias retumbantes.
Bahia: o nome foi dado pelos descobridores em função de sua grande enseada.
Ceará: vem de siará, canto da jandaia, uma espécie de papagaio.
Espírito Santo: denominação dada pelo donatário Vasco Fernandes Coutinho que ali desembarcou em 1535, num domingo dedicado ao Espírito Santo
Goiás: do tupi, gwa ya, nome dos índios guaiás, gente semelhante, igual.
Maranhão: Do tupi, mba’ra, mar, e , corrente, rio que semelha o mar, primeiro nome dado ao rio Amazonas.
Mato Grosso: o nome designa uma região com margens cobertas de espessas florestas, segundo antigos documentos.
Minas Gerais: o nome deve-se às muitas minas de ouro espalhadas por quase todo o estado.
Pará: do tupi, pa’ra, que significa mar, designação do braço direito do Amazonas, engrossado pelas águas do Tocantins.
Paraíba: do tupi, pa’ra, rio, e a’iba, ruim, impraticável.
Paraná: do guarani pa’ra, mar, e , semelhante, rio grande, semelhante ao mar.
Pernambuco: do tupi, para’nã, rio caudaloso, e pu’ka, gerúndio de pug., rebentar, estourar. Relativo ao furo ou entrada formado pela junção dos rios Beberibe e Capibaribe.
Piauí: do tupi, pi’au, piau, nome genérico de vários peixes nordestinos. Piauí é o rio dos piaus.
Rio de Janeiro: o nome deve-se a um equívoco: Martim Afonso de Souza descobriu a enseada a 1º de janeiro de 1532 e a confundiu com um grande rio.
Rio Grande do Norte: derivado do rio Potengi, em oposição a algum rio pequeno, próximo, ou ao estado do Sul.
Rio Grande do Sul: vem do canal que liga a lagoa dos Patos ao oceano.
Rondônia: o nome do estado é uma homenagem ao marechal Rondon.
Santa Catarina: nome dado por Francisco Dias Velho a uma igreja construída no local sob a invocação daquela santa.
São Paulo: denominação da igreja construída ali, pelos jesuítas, em 1554 e inaugurada a 25 de janeiro, dia da conversão do santo.
Sergipe: do tupi, si’ri ü pe, no rio dos siris, primitivo nome do rio junto à barra da capitania.
Tocantins: nome de tribo indígena que habitou as margens do rio. É palavra tupi que significa bico de tucano.

PROCISSÃO DE SEXTA-FEIRA SANTA
(Paulinho Nogueira)

É dia de procissão de Sexta-Feira Santa
Meu pai saía na Irmandade do Santíssimo
Nesse dia lá em casa
Nem mesmo criança podia brincar
E quase ninguém sorria
A gente não podia nem assobiar
Sempre a procissão passava
Lá na minha rua, ao anoitecer
Chegavam muitos amigos
Parentes antigos, que vinham pra ver
É dia de procissão de Sexta-Feira Santa
Meu pai saía na Irmandade do Santíssimo
Batia o sino da igreja
Todos pra janela, pra pegar luar
Gentarada na calçada
Esperando, cansada, mas sem reclamar
Lembro a figura do Jonas
Um homem estranho, tipo popular
Sempre passava na frente
Avisando a gente que ia começar
É dia de procissão de Sexta-Feira Santa
Meu pai saía na Irmandade do Santíssimo
Silêncio na minha rua
Todos se ajoelhavam pro Senhor passar
Cada um como Jesus
Carrega a sua cruz, sem se desesperar
O canto atroz da Verônica
Me transmitia uma forte impressão
Mostrando o lenço manchado
Sangue derramado do Cristo, em vão
É dia de procissão de Sexta-Feira Santa
Meu pai saía na Irmandade do Santíssimo
Vinha o corpo carregado
Daquele que um dia, por amor morreu
Ave Maria por Nossa Senhora
Que chora o Filho que perdeu
E a multidão seguindo
Alimentando sonhos, tudo em seu louvor
Acho que todo esse povo
Espera de novo o seu Salvador
É dia de procissão de Sexta-Feira Santa
Meu pai saía na Irmandade do Santíssimo


(As lembranças vividas na infância, em Campinas, inspiraram essa música de Paulinho Nogueira, que foi gravada pela primeira vez pelo maestro Nelson Aires, há vinte anos. Inezita Barroso gravou Procissão de Sexta-Feira Santa em seu novo CD, Sou Mais Brasil, lançado pela gravadora CPC-UMES)


Verdades ou fantasias?

Forma original de saber as horas certas

Os índios das florestas do Brasil que, na sua grande maioria, desconhecem absolutamente o que seja um relógio, podem, no entanto, a qualquer momento do dia, saber as horas que são.

Às 6 horas precisas da manhã o omupac, inseto gigante do Amazonas, produz, batendo com as asas contra o tronco das árvores, um ruído como de castanholas e que dura exatamente três minutos, emudecendo depois até às 6 horas do dia seguinte.

Às 10 horas, pontualmente, os macacos gritam e ao meio-dia exato o tucano intervém no concerto, com a sua voz grave.

O tapir sai todos os dias para a caça às 15 horas precisas e o urso formigueiro não procura os ninhos das térmitas enquanto não são 17 horas.

A ave viuvinha solta, todas as tardes, sete gritos angustiosos, os únicos que solta em todo o dia, pontualissimamente às 19 horas.

Mas, segundo dizem os índios, ainda o mais prático é domesticar o camaleão. Nos olhos deste, uma mancha de cor acastanhada muda, de hora em hora, de lugar, como o ponteiro de um mostrador de relógio.

(Almanaque Bertrand, 1955)

• Cana da roça dá pinga. Pinga na cidade dá cana
• Procura-se empregada que durma no emprego
• Levo no coração quem me deixou solidão
• Antes de falar de mim, lembre-se do seu passado
• Se gordura fosse físico, porco seria atleta
• Muito covarde tem capitulado antes de ir à luta
• Nas rodas desse veículo, roda o meu destino
• Trabalhar pouco, namorar muito, casar nunca
• Praia de pobre é bacia
• Eu sou imortal, pois não tenho onde cair morto

Numa sexta-feira da Paixão, Paula Nei estava embriagado e tendo-o Ferreira de Araújo censurado:

- Mas nem o dia de hoje você respeita, seu Nei, em que o Deus-Homem morreu?!

E ele, profundo e comovedor:

- Quando a Divindade sucumbe, a Humanidade cambaleia!…

(MENEZES, Raimundo de. A vida boênia de Paula Nei. In MASUCCI, Folco. Anedotas históricas brasileiras. São Paulo, Editora Edanee, 1947)


TERMO  OFERECE  _______

 


SANTO  NOTA  gue  50

 

(In Almanaque Bertrand, 1956)

• Tão bom como tão bom.
• Tão bom é balaio como a tampa.
• Tão bom é ladrão como o consentidor.
• Tão bom é Pedro como seu amo.
• Tão caipora que, se abrisse uma chapelaria, os meninos nasceriam sem cabeça.
• Tão certo como dois e dois ser quatro.
• Tão depressa morrem de cordeiros como de carneiros.
• Tão grande é o erro como o que erra.
• Tão ladrão que, se vendesse um cavalo, achava jeito de se ficar com a marcha do animal.

alepi.gif (7187 bytes)

(A um livreiro a quem acusaram de ter comido todo um canteiro de alfaces)


Levou um livreiro a dente
D’alfaces todo um canteiro
E comeu, sendo livreiro
Desencadernadamente
Porém eu digo que mente
A quem disso o quer taxar
Antes é para notar
Que trabalhou como um mouro
Pois meter folhas no couro
Também é encadernar



(MATOS, Gregório de. In. Antologia brasileira)

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