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APETRECHOS PARA TECELAGEM MANUAL Assim
é que encontramos nas casas das tecelãs os implementos para a fiação e tecelagem todos
rústicos e toscos, de fabricação doméstica. Escaroçador (descaroçador): Numa
banqueta retangular sobre quatro pés, instalam-se dois montantes verticais, entre os
quais se colocam conjugados dois cilindros horizontais, munidos de manivelas. Arcos ou cardas: Para se limparem as
impurezas do algodão, usa-se o arco ou cardas. O arco é o mesmo que se pode usar para
flechas. Dobradeira (dobadoura): É um engenho
para se transformar as meadas a linha fiada e enovelada. Ela se compõe de uma cruzeta de
madeira servindo de suporte para uma haste fixa verticalmente. Na extremidade de cima
dessa haste, coloca-se outra cruzeta móvel (que gira na haste, que é um eixo), tendo em
cada ponta uma vareta vertical (20 cm). Tear: Usa-se mais
comumente o tear horizontal, de pedal, embora no Norte ainda se encontrem teares
verticais. Descrever um tear é tarefa complicada, deixemos para outra informação
específica. Contudo, uma parte importante para se realizar o tecido é o número de liços usados conforme a padronagem
que se quer obter. O pente por onde também correm os fios da urdidura aperta o fio repassado. Canoinhas ou lançadeiras: As
lançadeiras são mesmo em forma de canoinhas de madeira, onde se colocam as canelihas com
o fio colorido para se fazer o tapume ou o repasse. A canoinha com os fios de tapume é
lançada entre os fios da urdidura, que são passados entre os dentes dos liços e do
pente. Os pedais levantam e abaixam os fios da urdidura para dar passagem ao fio do tapume
e compor o desenho ou "repasse". Canelinhas (canilhas, espécie de carretel):
São pequenas hastes que se encaixam na canoinhas. O nome se deve à aparência que tem
com um osso de canela (fina no meio e extremidades arredondadas). Dizem que antigamente se
usavam mesmo os ossinhos, mas hoje o material usado é o gomo do bambu. Os tecidos são
feitos sob desenhos chamados "repasse". Os nomes dos desenhos são variados e
conhecidos entre as tecelãs, como: caramujinho, laranja partida, trem de ferro, chocalho
de cascavel, guingau e muito outros. As receitas são conservadas e reproduzidas em tiras
de papel, onde se veêm pequenos traços verticais, agrupados de espaço em espaço, em
números diferentes. Sua leitura é indecifrável para o leigo. Pelos riscos ou traços,
não se pode ter uma idéia do desenho que vai sair dali. Tinturas: Para se obter o pigmento de
tingir a linha, no sertão, muitos são os recursos naturais. As cores mais comum são
obtidas com corantes vegetais extraídos em infusões ou cozimentos e/ou outros processos.
Nos lugares próximos aos centros comerciais, as tecelãs recorrem aos corantes químicos:
anilina ou corantes preparados (Guarani ou outro que se encontre no comércio). O tingimento e sua fixação:
Para se fazer o tingimento e fixá-lo bem, mergulham-se as meadas na tintura desejada e
leva-se ao fogo para uma boa fervura, juntando, aí, pedaços de rapadura e
"decoada" (lixívia). Depois de bem fervidas,
lavam-se as meadas em água corrente para retirar o excesso, de modo que, depois de feito
o tecido, não se misturem as tintas, ao ser lavado, nem desbotem. (Lacerda, Regina. Folclore Brasileiro: Goiás) |
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