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Antes da iluminação elétrica, as noite de
luar eram esperadas com ansiedade e devidamente aproveitadas para brincadeiras e passeios,
impossíveis de realizar quando somente o cintilar das estrelas ponteia a escuridão
total. Ainda hoje, em geral pouco favorecidas pela iluminação pública, as populações do interior costumam expandir-se nas noites enluaradas, cantando, brincando de roda ou apenas apreciando a beleza do céu, sendo comum a expressão: "Sair para ver a lua"... As crianças, sempre mais esfuziantes e barulhentas do que os adultos, manifestavam entusiasticamente a sua satisfação, em altas vozes, saudando-a de várias maneiras. Em Pernabuco, olhando para o céu, gritavam: À benção, Dindinha Lua! Me dá pão com farinha, Prá dá à minha galinha Questá presa na cozinha... Xô!...galinha! Vai pra tua camarinha! No estado do Rio de Janeiro, região de Campos e São João da Barra, a mesma saudação tomava esta forma: À benção, minha madrinha! Me dá leite na conchinha, Prá dá à minha galinha Que está presa na cozinha... Xô!...galinha! Xô!...galinha!... Em toda parte, porém, ao dizer as palavras finais, saíam todos em correria, espantando galinhas imaginárias... Os termos "Dindinha" e "Madrinha" explicam-se pelo antigo hábito de apresentar à lua as crianças recém-nascidas, em sua primeira saída, isto é, aos quarentas dias, para que as batizasse e assim lhes "fechasse o corpo" contra os muitos males que as ameaçavam. (RODRIGUES, Anna Augusta. Rodas, brincadeiras e costumes) |
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